Pioneiras nas fileiras do Exército em Santa Maria, 39 jovens iniciaram a formação como as primeiras mulheres no serviço militar inicial. Após a cerimônia de incorporação das novas soldados, realizada na manhã desta sexta-feira (6), no quartel da 6ª Brigada de Infantaria Blindada, o momento foi marcado por abraços e celebrações entre familiares e amigas pela conquista histórica. Apesar de compartilharem a mesma missão, cada uma carrega histórias, sonhos e expectativas diferentes para a nova etapa.
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Entre as jovens que agora vestem a farda do Exército está a soldado Heloísa Scherer, 18 anos, que vê no ingresso na instituição a realização de um sonho antigo. O desejo de ingressar na carreira surgiu ainda na infância, quando conheceu o Colégio Militar e passou a se interessar pela vida dentro da instituição. Quando surgiu a possibilidade de fazer o alistamento voluntário, ela conta que não pensou duas vezes:
– Eu sinto um sentimento de pertencimento. Servir sempre foi um sonho para mim. Sinto que pertenço a esse lugar e pretendo permanecer. Quero seguir carreira militar.
Ao falar sobre o apoio recebido, Heloísa destacou o papel da família.
– Família é base. Família e Deus são base para mim. Não tem uma noite que eu não vá dormir pensando na minha família e pedindo a Deus que nos proteja e me dê forças para continuar esse sonho que eu tenho desde criança – disse, abraçando a irmã Luiza.

A emoção tomava conta, também, dos pais de Heloísa. O pai, Ademar Scherer, 48 anos, serviu ao Exército por dois anos e agora acompanha o ingresso da filha. Feliz pela conquista, enalteceu a dedicação da jovem.
– É muita felicidade. Ela lutou por isso, é o que ela queria. Agora é seguir em frente – afirmou.
Para a mãe, Mônica Wouters Scherer, 50 anos, ver a filha vestindo a farda representa a concretização de um sonho que acompanha a família há anos. Ela conta que, desde pequena, Heloísa fala que quer ser militar:
– Estou muito feliz, porque é o que ela sempre quis. Desde pequena ela falava sobre isso.
"Foi uma conquista para mim e para minha família"
Quem também celebrava o início da trajetória militar era a Amanda Teixeira Barros, 18 anos. Sorridente após a cerimônia, ela ainda tentava assimilar o significado do momento. Para a jovem, a incorporação representa a concretização de um objetivo que surgiu assim que o Exército anunciou a abertura das vagas para mulheres.
– Acho simplesmente maravilhoso. Estou muito feliz com isso. Foi uma conquista enorme para mim e para a minha família. É um orgulho muito grande poder fazer parte disso – disse.

O caminho até a incorporação, no entanto, exigiu dedicação. Segundo ela, o processo seletivo foi rigoroso e reuniu diversas candidatas. Após o período de seis semanas de formação, ela irá atuar no Hospital Geral do Exército de Santa Maria. A conquista, segundo ela, foi dividida com a família, que acompanhou de perto cada etapa até a chegada ao quartel:
– O apoio deles significa muito. É uma alegria poder viver isso e saber que eles estão orgulhosos.
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